histórico da cruzeiro do sul

Alemães na aviação Brasileira era um fato corriqueiro na década de 20 e foi justamente nos braços do povo que mais tarde construiria o A300, que surgiu a Condor, uma empresa dotada de alguns Junkers e que escreveria nome nos céus Brasileiros. Pioneira no uso dos Junkers JU52, a Condor era uma empresa exemplar, baseada no Rio de Janeiro. O tempo passou e a segunda guerra obrigou praticamente a Condor a assumir um novo nome: CRUZEIRO DO SUL SERVIÇOS AÉREOS. Operou entre diversas aeronaves DC3, DC4, Convair e finalmente o Caravelle entrando assim na era jato. A empresa então começou a se envolver na nova aviação que se desenhava no Brasil. Ficou com parte do espólio da PANAIR, especialmente os Caravelles e as rotas na Amazônia com os Catalina, após o triste ato de 1965 protagonizado com a Panair. Tempos depois a empresa trouxe o nome Boeing para o país, encomendando os Boeing 727-100. Pioneira na encomenda acabou não sendo a pioneira em operação, fato este que coube a VARIG. O toque refinado do nome Boeing prosseguiu anos mais tarde, quando em 1975 a empresa encomendou e recebeu seis unidades do Boeing 737-200.

Mas enquanto dotava sua frota de novas aeronaves, a empresa vivia mal e acabou entrando em negociação com VASP e VARIG para venda de seu controle. A VASP começou a protagonizar um chora-chora de preço para aquisição da CRUZEIRO e a VARIG vendo um horizonte mais alto adquiriu a empresa estrelada. A VARIG manteve o nome CRUZEIRO para dar a falsa impressão de mais opções ao passageiro, uma falsa concorrência entre 4 empresas que na verdade eram 3. Reuniões do setor fortaleciam a VARIG, afinal a CRUZEIRO aparecia como representante. Mas a principal utilidade da CRUZEIRO seria ser laboratório da VARIG.

Em 1980, seduzida pela grande qualidade e marketing que o A300 dispunha na aviação mundial, encomendou 4 unidades, cujo primeira chegaria em 1980 como PP-CLA. O segundo seria recebido em suas cores e então os outros 2 passariam a VARIG em 1982, justamente devido ao sucesso que as primeiras unidades protagonizaram no laboratório. Em 1983 dando seqüência a função de laboratório utilizou por alguns meses o excelente MD82 em suas cores como PP-CJM. A aeronave aprovada na prática só não teve seis unidades adquiridas pela VARIG devido a uma forte desvalorização da moeda nacional perante a americana, inviabilizando o negócio. Em 1989 e 1990 os A300 saiam da frota da CRUZEIRO, restando apenas os Boeings 727 e 737 na frota da empresa. Desde então a CRUZEIRO seguia sendo uma simples subsidiária da VARIG, já dispondo até de prestígio inferior ao que a RIO SUL gozava como uma simples regional. Em 1992 a CRUZEIRO desativava os Boeing 727, enquanto a Rio Sul trazia o Boeing 737-500 para o país. Em 1993 a CRUZEIRO sucumbiu de vez, com seus 737-200 pintados em cores da VARIG. Desaparecia ali um marco da aviação nacional, cuja estrela apagou de vez em fins de 2003 quando a VARIG desativou o bravo Boeing 737-200 PP-CJT, última estrela a se apagar na constelação da inesquecível Cruzeiro do Sul!

A300 na cruzeiro do sul

Airbus era então uma palavra nova, sem o peso da tradição Boeing que há muitos anos dominava o Brasil e a própria Cruzeiro que até então tinha uma frota puramente Boeing. A chegada dos Airbus representaria um último aparecimento da Cruzeiro como empresa "independente", afinal crescer com aeronaves que eram inéditas na VARIG, era sem dúvida mais um ato do teste de laboratório que este última realizava em sua subsidiária! Finalmente em Junho de 1980 chega ao Brasil o PP-CLA, sendo então o número 110 dentre os A300. Sua aplicação imediata na rota São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Buenos Aires, introduziu um padrão de conforto jamais visto em céus Brasileiros, com a possibilidade até de trechos domésticos com o novo astro da empresa estrelada.

O pioneiro PP-CLA teve logo a companhia do irmão PP-CLB que chegou logo depois, a presença destas duas aeronaves incomodou o ego da VARIG que logo converteu as outras duas aeronaves para suas cores, tornando-se a segunda operadora do tipo no Brasil. O laboratório estava dando o seu primeiro laudo positivo a empresa controladora. Os A300 da CRUZEIRO revezavam com os da VARIG em diversas rotas, em alguns países ocorreu até o ridículo de não permitirem sua operação, devido a ser um vôo VARIG, exigindo assim a presença de aeronave VARIG, em outros ocorreu o contrário, vôo CRUZEIRO deveria ser aeronave CRUZEIRO. Em 1982 um pouso em Porto Alegre levou um dos A300 a um "passeio" na grama após o reverso não operar, porem comandar as turbinas a potência, levando a aeronave a um "overrun" na pista, sem maiores problemas para aeronave e passageiros! Em 1984, mais um turismo indigesto com um seqüestro que levou um dos A300 até Cuba. Em 1986 a chegada dos primeiros Boeing 767-200 eram o primeiro sinal que as estrelas Cruzeirenses estariam com os dias contados e assim se confirmou em 1989 com a negociação do PP-CLA a empresa jamaicana AIR JAMAICA que passou a operar tal aeronave como 6Y-JMR, cujo final é estar hoje aos restos após ser completamente canibalizado em Kingston. Já o PP-CLB deixou o país em 1990 rumo ao Japão, para voar na JAPAN AIR SYSTEM, onde cumpre até hoje vôos com toda eficiência e classe de um A300.

A saída dos A300 foi o início da aproximação final da CRUZEIRO, cujo pouso final ocorreu em 1 de Janeiro de 1993, com os Boeing 727 sendo vendidos e os Boeing 737-200 passados as cores da VARIG.

Principais aeronaves da Cruzeiro durante a operação dos A300...

A300 - operam 2 com prefixos PP-CLA e PP-CLB

Boeing 727-100 operaram o PP-CJE, PP-CJF, PP-CJG, PP-CJH, PP-CJI, PP-CJJ, PP-CJK e PP-CJL... além do PP-VLV da Varig!

Boeing 737-200 operaram 6 com prefixos PP-CJN, PP-CJO, PP-CJP, PP-CJR, PP-CJS, PP-CJT...

Airbus A300

Boeing 727-100

Boeing 737-200

A300BR - A300 na CRUZEIRO - a300br@asasdabahia.com.ar